sábado, 7 de novembro de 2009
O FERMENTO DOS FARISEUS
(Locutora do programa) – Abrindo o Evangelho ‘ao acaso’, encontramos, em Lucas, capítulo 12, versículos 2 e 3: “Tendo-se juntado milhares de pessoas, de modo que um e outro se atropelavam, começou Jesus a dizer primeiro aos seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Nada há encoberto, que se não venha a descobrir; em oculto que se não venha a saber. Por isso, o que disseste na treva, à luz será ouvido; o que falastes ao ouvido, no interior da casa, sobre os telhados será proclamado.”
Vemos, nessa passagem do Evangelho de Lucas, a colocação de um problema tipicamente espírita, ou seja: o problema da supressão das vidas. Jesus advertia, naquele momento, os seus discípulos, quanto àquilo que chamou de o fermento dos fariseus, ou o fermento da hipocrisia. Esse fermento dos fariseus, para sermos justos, é o fermento humano, que existe em toda a humanidade.
A hipocrisia nos faz mostrar um semblante alegre, sorridente, para os outros, quando, na verdade, mostramos apenas a nossa falsa casaca, como se costuma dizer. Então, Jesus diz que o que se diz ao ouvido, o que se diz dentro de casa, no ambiente familiar, escondido dos outros, afinal será proclamado, mais cedo ou mais tarde; aquilo que se diz no escuro será revelado na luz.
Quem conhece o problema das vidas sucessivas sabe que após a morte passamos a viver no mundo espiritual. Temos ali uma extensão da vida terrena, muitas vezes, igual ou com maior extensão do que a existência na Terra. Quando chegarmos ao mundo espiritual, vamos nos encontrar com uma sociedade diferente, onde quase não se pode esconder aquilo que se pensa, pois a linguagem dos Espíritos é o pensamento. Os Espíritos não precisam falar, como nós falamos, através da voz articulada, para se comunicarem entre si. Eles podem comunicar-se pelo pensamento.
Assim sendo, nós temos, no mundo espiritual, aquelas pessoas que costumavam, na Terra, falar mal do próximo e fingir amizade na sua presença, as quais encontram uma dificuldade muito grande, no Mundo Maior, porque estavam acostumadas a fazer assim na Terra. Mas na nova morada não podem fazê-lo, porque quando querem fingir, o fingimento transparece. E, praticamente, revelam as suas intenções ocultas. Então elas não podem adotar, como na Terra, a tática do fingimento, por não estarem escondidas atrás do corpo material; estão se comunicando através do seu próprio corpo espiritual, que é transparente e o pensamento, à flor da pele, se é que podemos dizer assim, revela-se por meios evidentes, não podendo ser escondido.
É por isso que Jesus disse que tudo aquilo que fizermos aqui será revelado, no Mundo Maior. Nas pesquisas de Allan Kardec sobre esse assunto, publicadas na Revista Espírita, vemos Espíritos que se queixam profundamente das situações em que se encontram, porque não podem fazer nada escondido. Tudo o que querem ocultar está sempre sob os olhos de entidades espirituais que enxergam tudo quanto fazem, tudo quanto pensam e sentem.
É por isso que Jesus nos dá uma lição, através desse trecho do Evangelho de Lucas, no sentido de que devemos ser leais. Devemos ser sinceros, a fim de evitarmos situações embaraçosas para o nosso Espírito, pois, após a morte, se não nos libertarmos, na Terra, do vício da hipocrisia, nos colocaremos em situações verdadeiramente desesperadoras, revelando aquilo que não queremos revelar. Não pensem que a desencarnação dá atestado de santidade a alguém. Seremos lá exatamente o que fomos aqui.
J. Herculano Pires – No Limiar do Amanhã
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DO NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO
I - DOENÇA DE LÁZARO
João.11:1-16
1. Estava doente certo Lázaro de Betânia, da aldeia de Maria e de Marta sua irmã.
2. (Maria, cujo irmão Lázaro adoecera, era a que ungiria o Senhor com perfume e enxugaria seus pés com os cabelos cela).
3. Enviaram a ele, pois, as irmãs, dizendo: "Senhor, olha, aquele que amas adoeceu".
4. Ouvindo (isto) Jesus disse: "Essa doença não é para morte, mas para reconhecimento de Deus, para que o Filho de Deus seja reconhecido por meio dela".
4. Ouvindo (isto) Jesus disse: "Essa doença não é para morte, mas para reconhecimento de Deus, para que o Filho de Deus seja reconhecido por meio dela".
5. Ora, Jesus amava Marta, e a irmã dela, e Lázaro.
6. Quando ouviu, todavia, que adoecera, ainda permaneceu dois dias no lugar em que estava.
7. Mais tarde, depois disso, falou aos discípulos: "Vamos à Judéia de novo".
8. Disseram-lhe os discípulos: "Rabi, ainda agora procuravam lapidar-te os judeus, e de novo vais lá"?
9. Respondeu Jesus: "Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
10. Se no entanto andar de noite, tropeça porque a luz não está nele".
11. Falou isso e depois lhes disse: "Lázaro, nosso amigo, adormeceu, mas vou para que o desperte".
12. Disseram-lhe então os discípulos: "Senhor, se adormeceu, se salvará".
13. (Mas Jesus falara da morte dele, e eles julgaram que falasse do adormecimento do sono).
14. Então disse-lhes Jesus abertamente: "Lázaro morreu,
15. e alegro-me por vós porque eu não estava lá, para que creiais; mas vamos a ele".
16. Disse então Tomé, apelidado o Gêmeo, aos condiscípulos: "Vamos nós também, para que morramos com ele".
Todo O episódio constitui sublime lição, que comentaremos a seguir. Antes, porém, analisemos os termos em que foi vazada. Dividimo-la em quatro partes para facilitar as anotações.
Neste primeiro trecho observamos a localização do acontecimento e as personagens nele envolvidas.
Adoecera "certo Lázaro" (já vimos, que Lâzâr é o diminutivo de Ele’azar, "Deus socorreu"). Esse
Lázaro era de Betânia isto é Beit-'aniâh, reminiscência talvez da Beth-anania, da tribo de Benjamin (cfr. Neem. 11:32).
Localizava-se no ras ech-chiyakh, a vertente que precede, a leste, o monte das Oliveiras (cfr. G. Dalman, "Les Itinéraires de Jesus", pág. 325). Nos arredores de Betânia ficaria a casa de Marta e Maria, que é citada em Lucas (10:38ss). Da crista do monte das Oliveiras até a aldeia, a distância era de cerca de três quilômetros. Os nomes das personagens citadas eram muito comuns na época (cfr. vol. 5).
Figura O RESSURGIMENTO DE LÁZARO - Desenho de Bida, gravura de ª M.
Depreende-se de toda a narrativa a grande intimidade de Jesus com as duas irmãs, a tal ponta que sabiam onde o Mestre se encontrava retirado em determinada data, para chamá-Lo em caso de necessidade.
E foi o que ocorreu. Em seu retiro na Galiléia recebe a notícia dada com toda a simplicidade, sem que nada fosse solicitado. Apenas o recado: "Olha, aquele que amas adoeceu". Nada mais. Só se salientava a afeição de Jesus. O resto seria decorrência desse amor.
Jesus não se abala: "a doença não é para morte, mas para reconhecimento de Deus (all’hypèr tês doxês tou theou) para que o Filho de Deus seja reconhecido por meio dela" (hína doxásthês ho hyiós tou theou di' autês). Não podemos acompanhar as traduções vulgares: "para glória de Deus e para que o Filho de Deus seja glorificado". Jamais Jesus buscou gloriar-se de qualquer coisa, o que seria demonstração de vaidade balofa e ridícula, muito própria de homúnculos, mas não do Grande Espírito Jesus, que ordenava nada se dissesse a ninguém, quando exercia seus poderes curadores. Se quisesse "glórias", poderia tê-las a qualquer momento.
Já traduzimos esse mesmo verbo (cfr. vol. 5) por "ter uma opinião", ou seja, "formar-se uma opinião a respeito de alguma coisa". E era isso que o Messias buscava: que a humanidade reconhecesse Sua missão por meio de Suas obras (João, 10:38). O mesmo "reconhecimento do Pai no Filho" encontraremos mais adiante (João, 14:13) quando Jesus diz: hò ti àn astísête en tôi onómatí mou, touto poíêsô, hína doxásthêí ho patêr en tôi hyiôi, ou seja: "se algo pedirdes em meu nome, fá-lo-ei, para que o Pai seja reconhecido no Filho".
Vem, depois, a anotação de que Jesus amava Marta, a irmã dela Maria e Lázaro. Aqui é usado o verbo agapáô ("amar com predileção") ao passo que as irmãs, ao lhe darem a notícia, falaram de "amar" com o verbo phileín ("amar com amizade") (vol. 2).
Não obstante, Jesus permanece ainda dois dias "no lugar em que se achava". Só "depois disso" anuncia aos discípulos que voltará à Judéia, numa jornada que lhes demandará dois dias. Contemos o tempo: o emissário de Mara e Maria levou 2 dias para chegar a Jesus. Este ficou parado 2 dias. Depois gasta 2 dias para chegar a Betânia: ao todo 6 (seis) dias.
Os discípulos lembram-Lhe que os judeus queriam lapidá-Lo pouco antes (cfr. João 7:1; 8:59 e 10:31 e 39) e seria imprudente colocar-se ao alcance de suas mãos homicidas. A resposta é enigmática: durante as doze horas do dia não se tropeça porque "se vê a luz do mundo"; mas se se andar à noite, tropeça-se, porque a "Luz não está nele". Já não se trata mais da luz do mundo ,mas da luz própria intrínseca à criatura. Veremos o que isso significa.
Depois esclarece que "Lázaro adormeceu" (kekoímêtai, do verbo koimâsthai, que significa "dormir" ou "adormecer" repousando, usado no Novo Testamento com sentido de sono natural (Mat. 28:13, Luc.22:45, At. 12:6), mas com o sentido de "morrer" (At. 7:60) quando se refere à morte de Estêvão. E prossegue: "vou despertá-lo". Os discípulos não refletiram que não podia tratar-se de sono normal, pois seria absurdo que fosse necessário ir Jesus despertá-lo após dois dias de caminhada ... Duraria tanto assim um sono natural? E citam o provérbio: "se adormeceu, se salvará", pois, anota o evangelista, não tinham entendido o sentido do verbo. Então o Mestre fala abertamente (parrêsía): "Lázaro morreu" (apéthanen). E chama a atenção dos doze a respeito da satisfação que lhe causou esse incidente, pois será motivo para acrescer-lhes a fé (hína pisteúsête) garantindo maior fidelidade da parte deles a Seu ensino. E concluindo vem o incentivo: "Vamos a ele" (ágômen prós autoú).
Entra, então, Thômâs (que se convencionou denominar, em português, Tomé, quando a melhor tradução é, sem qualquer sombra de dúvida, Thomás) que João diz "ser apelidado Dídimo", isto é, "o gêmeo". Na verdade, a palavra grega "dydimos" é a tradução do hebraico Thômâs, derivado da raiz THOM, que significa "dobrar". Daí Thômâs significar "o gêmeo". Voltando-se para os condiscípulos (symmathêtâis) ele os anima, para que todos acompanhem e morram com o Mestre, se necessário for.
Carlos Pastorino
Sabedoria do Evangelho 6
terça-feira, 3 de novembro de 2009
NA GRANDE ROMAGEM
"Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia". - Paulo. HEBREUS 11:8.
Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é destinada.
A conscrição atinge a todos.
O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia...
E nós, por nossa vez, devemos erguer o coração e partir igualmente.
Ignoramos as estações de contacto na caminhada enorme, mas estamos informados de que o nosso objetivo é Cristo Jesus.
Quantas vezes seremos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? quantas nuvens estarão interpostas, entre o nosso pensamento e o Céu, em largos trechos da senda?
Insolúvel a resposta. Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.
Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsabilidade; depois, é o sofrimento e, em seguida, é a solidão...
Ainda assim, é indispensável seguir sem desânimo.
Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemonos para diante, pelo menos, alguns milímetros...
Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.
Subamos, sem repouso, pela montanha escarpada:
Vencendo desertos...
Superando dificuldades...
Varando nevoeiros...
Eliminando obstáculos...
Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.
Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação e convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos resplandecentes da eterna ressurreição.
Do livro Fonte Viva
Médium - Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo espírito EMMANUEL
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
PÁGINAS DE SAUDADE E TERNURA
Minha querida filha:
Deus abençoe a vocês todos, concedendo-lhes muita saúde, alegria e paz.
Suas preces e pensamentos me buscam, na vida espiritual, como vivos apelos do coração.
Nossas lágrimas de saudade se confundem.
Morrer, minha filha, não é descansar, porque o amor, principalmente das mães, é sempre uma aflição permanente do espírito.
Ainda não pude habituar-me á idéia de que nos separamos, no mundo, apesar de sentir-me amparada, incessantemente, por minha mãe e pelo carinho de seu pai.
Quando você se encontra a sos, pensando... pensando... muitas vezes, sou atraída por suas meditações, e, em sua companhia, revejo nossos dias escuros e difíceis em minha viuvez iniciante. Uma ansiedade dolorosa me constrange o coração, nesses encontros...
È que desejava fazer-me visível aos seus olhos e acariciar seus cabelos, como em outro tempo. Em vão, procuro dizer a você, que estou viva, que a morte é ilusão. Inutilmente busco um meio de arrancá-la das reflexões tristes, arrebatando-a das sombras intimas, para restituir seu espírito à alegria; mas sou forçada a receber suas perguntas doloridas e esperar...
Filha do meu coração, rogo-lhe se reanime.
Não estamos separadas para sempre.
O túmulo é apenas uma porta que se abre no caminho da vida, da vida que continua sempre vitoriosa.
Quando você puder, interesse-se pelos estudos da alma eterna.
Guarde a sua fé em Deus, como lâmpada acesa para todos os caminhos do mundo.
Tudo na terra é passageiro.
Ainda ontem estávamos juntas, conversando, unidas, quanto aos nossos problemas; e, hoje, tão perto pelo coração, mas tão longe pelos olhos da carne, uma da outra, somos obrigadas a colocar a saudade e a recordação no lugar da presença e da comunhão mais intima, em nossa alma.
Tenha paciência, minha filha, e nunca perca a serenidade.
Estarei com você, em todos os seus passos.
Abraçados às suas orações e às lembranças carinhosas, que me fortalecem para a jornada nova, e rogando a você muita tranqüilidade e confiança em deus, sou a mamãe muito amiga, que vive constantemente com você pelo coração.
Noemia
Livro “Relicário de Luz” - Psicografia de Francisco C. Xavier - Autores Diversos
domingo, 1 de novembro de 2009
A PRIMEIRA MENSAGEM DE EURÍPEDES BARSANULFO
EM MEMÓRIA AOS 91 ANOS DE DESENCARNE DE EURÍPEDES BARSANULFO, OCORRIDO EM 01.11.1918
Primeira mensagem transmitida à Francisco Cândido Xavier, em 30/04/1950, pelo espírito de Eurípedes Barsanulfo.
Aos Companheiros de Ideal
Aos queridos amigos do Triângulo Mineiro:
A nossa marcha continua e, como sempre, irmãos meus, confirmo a promessa de seguir convosco até a suprema vitória espiritual.
Os anos correm incessantemente, a morte estabelece apreciáveis modificações, as paisagens se transformam, todavia, nossa confiança em Deus permanece inabalável.
Somos numerosa caravana em serviço das divinas realizações.
Velhos amigos nossos, ouvindo-me a palavra, sentirão os olhos úmidos. Para vós que ainda permaneceis na Terra, a travessia dos obstáculos parece mais dolorosa. As saudades orvalhadas das lágrimas vicejam ao lado das flores da esperança. As recordações represam-se na alma. Alguns companheiros estacionaram em caminho, atraídos pelo engano do mundo ou esmagados pelo desalento; não foram poucos os que desanimaram, receosos da luta. Por isso mesmo, as dificuldades se fizeram mais duras, a jornada mais difícil.
Mas a nós, que temos sentido e recebido a bênção do Senhor, no mais íntimo d’alma, não será lícito o repouso.
Nossas mãos continuam enlaçadas na cooperação pelo engrandecimento da verdade e do bem, e minha saudade, antes de ser um sofrimento é um perfume do céu. No coração vibram nossas antigas esperanças e continuamos a seguir, a seguir sempre, no ideal de sublime unificação com o Divino Mestre.
Tenhamos para com os nossos irmãos ainda frágeis, a ternura do amor que examina e compreende. As ilusões passam como os rumores do vento. Prossigamos, desse modo, com a verdade, para a verdade.
Falando-vos em nome de companheiros numerosos da espiritualidade, assinalo a nossa alegria pelo muito que já realizasteis, no entanto, amigos, outras edificações nos esperam, requisitando-nos o esforço. É preciso contar com os tropeços de toda sorte. O obstáculo sempre serviu para medir a fé, e o espírito de inferioridade nunca perdoou as árvores frutíferas. Quase toda gente deixa em paz o arbusto espinhoso a fim de atacar a árvore generosa, que estende os ramos em frutos aos viajantes que passam fatigados. A sombra, muita vez, ameaçará ainda os nossos esforços, os espinhos surgirão, inesperadamente, na estrada, a incompreensão cruel aparecerá, de surpresa. Conservemos porém, a limpidez de nosso horizonte espiritual, como quem espera as dificuldades, convictos de que a vida real se estende muito além dos círculos acanhados da Terra. Guardando a energia de nossa união, dentro da sublimidade do ideal, teremos à frente o archote poderoso da fé que remove montanhas. Quando o desânimo vos tente, intensificai os passos na estrada da realização. Não esperemos por favores do mundo, quando o próprio Jesus não os teve. A paz na Terra, muitas vezes, não merece outro nome, além de ociosidade. Procuremos, pois a paz de Cristo que excede o entendimento das criaturas. Semelhante vitória somente poderá ser conquista através de muita renúncia aos caprichos que nos ameaçam a marcha. Não seria justo aguardar as vantagens transitórias do plano material, quando o trabalho áspero ainda representa a nossa necessidade e o nosso galardão.
Jamais vos sintais sozinhos na luta. Estamos convosco e seguiremos ao vosso lado. Invisibilidade não significa ausência.
O Mestre espera que façamos do coração o templo destinado à sua Presença Divina.
Enche-vos o mundo de sombras? Verificam-se deserções, dissabores, tempestades? Continuemos sempre. Atendamos ao programa de Cristo. Que ninguém permaneça nas ilusões venenosas de um dia.
Deste “Outro Lado” da vida, nós vos estendemos as mãos fraternas. Unindo-nos mais intensamente no trabalho, em vão rugirá a tormenta. Jamais vos entregueis à hesitação ou ao desalento, porque, ao nosso lado, flui a fonte eterna das consolações com o amor de Jesus Cristo.
Fonte:
Mensagem extraída do livro Eurípedes – O Homem e a Missão, autora Corina Novelino, editora ide (Instituto de Difusão Espírita).
sábado, 31 de outubro de 2009
MUITA PRECE PARA NOSSOS DESAFETOS
Jesus sempre nos concitou a responder o mal com o bem porque sabia que através do pensamento ligamo-nos uns aos outros. Quando somos submetidos a estados de excitação emocional tais como: paixão, raiva, ódio etc., estes estados ensejam sempre uma ligação mental forte entre os que estejam participando deles.
A mágoa é um exemplo de sentimento que nos deprime física e psiquicamente.
Quanto mais nos lembrarmos com amargura e ressentimento dos malefícios, emitimos vibrações inibidoras que repercutem sobre o nosso organismo, prejudicando-lhe a normalidade das funções.
Quanto mais nos lembrarmos com amargura e ressentimento dos malefícios, emitimos vibrações inibidoras que repercutem sobre o nosso organismo, prejudicando-lhe a normalidade das funções.
O sistema nervoso em desequilíbrio passa a emitir impulsos destrutivos sobre os demais sistemas e aparelhos afetando-nos a saúde e perturbando a paz interior. O ódio tem a mesma força de ligação do amor. Quando odiamos alguém estamos em permanente comunicação com o ser odiado, permutando fluídos tóxicos e destruidores.
Como no campo psíquico, os afins se atraem. É preciso cortar a sintonia negativa estabelecida com nossos desafetos. Orar pelos que nos fazem mal, sendo uma das formas de fazer-lhes o bem, significa interromper qualquer ligação negativa, por isso Jesus nos convida a orar por aqueles que nos difamam e nos perseguem: “A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos amaldiçoam, orai pelos que vos difamam.” (Lc 6:27-28).
A vibração positiva da prece em favor dos que nos querem mal age sobre o psiquismo de nosso desafeto, colaborando assim para que saiam dessa situação, influenciando seu inconsciente de forma favorável a nosso respeito.
Está provado que o ódio, a raiva, a mágoa e o ressentimento causam doenças graves em nosso corpo somático. A medicina moderna já descobriu que existe uma relação estreita entre nosso estado emocional e o surgimento de inúmeras patologias de difícil cura. Não podemos esquecer também de orar pelos nossos inimigos espirituais e por nossos obsessores, porque eles se enquadram nas recomendações do Cristo.
Sejamos mais sábios e inteligentes. Não guardemos ódio nem rancor que poderão desestruturar nosso íntimo. Ao invés de ódio, amor, tolerância, compreensão; e sobretudo, muita prece, não apenas para nossos amigos mas também para nossos desafetos.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
DIA DOS VIVOS
Antigas culturas orientais pranteavam o nascimento e festejavam a morte, partindo de dois princípios:
* Nascer é iniciar uma jornada de dores e atribulações, enfrentando longo degredo neste vale de lágrimas.
* Morrer é desvencilhar-se das amarras e ganhar a amplidão.
São perfeitamente compatíveis com a Doutrina Espírita, que nos fala da reencarnação como uma experiência difícil, complicada, mas necessária, no estágio de evolução em que nos encontramos.
É, digamos, uma materialização a longo prazo, uma armadura de carne que vestimos, a limitar nossas percepções.
Ligação tão íntima, tão entranhada, que o corpo passa a integrar nossa alma, como um apêndice, colocando-nos em contato com vicissitudes como a dor, o desajuste, a doença, a senilidade, próprios dos seres biológicos, a se acentuarem na medida em que se desgastam suas células.
Por outro lado, o esquecimento das experiências anteriores gera boa dose de insegurança. O reencarnante situa-se perdido no presente, a caminhar para o futuro sem o referencial do passado.
E há, ainda, o contato com pessoas e situações que dizem respeito ao pretérito, envolvendo afetos e desafetos. Estará às voltas com sentimentos gratuitos e contraditórios de simpatia e antipatia, afeto e desafeto, amor e ódio, envolvendo gente de seu relacionamento, particularmente os familiares.
Isso tudo é necessário, uma contingência evolutiva.
A carne é a lixa grossa que desbasta nossas imperfeições mais grosseiras.
O esquecimento do passado é a bênção do recomeço, a fim de que possamos superar paixões e fixações que precipitaram nossos fracassos no pretérito.
A convivência com afetos e desafetos de vidas anteriores é a oportunidade de consolidar afeições e desfazer aversões.
Mas… enfrentar tudo isso em estado de amnésia, sem a mínima noção do porquê dessas experiências!…
Barra pesada!
...
A literatura psíquica nos dá notícia das angústias do Espírito, quando se prepara para o mergulho na carne, considerando suas próprias limitações e as dificuldades inerentes à jornada humana.
Em O Livro dos Espíritos, há a questão 341:
Pergunta Kardec:
Na incerteza em que se vê, quanto às eventualidades do seu triunfo nas provas que vai suportar na vida, tem o Espírito uma causa de ansiedade antes da sua encarnação?
Responde o mentor:
De ansiedade bem grande, pois que as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, conforme as suporte.
No livro Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido Xavier, André Luiz reporta-se à ansiedade de Laura, nobre senhora que se preparava para reencarnar. Não obstante seus incontáveis méritos, encarava com apreensão o mergulho na carne.
E comenta com o Ministro
Genésio, um benfeitor espiritual:
– Tenho solicitado o socorro espiritual de todos os companheiros, a fim de manter-me vigilante nas lições aqui recebidas. Bem sei que a Terra está cheia da grandeza divina.
Basta recordar que o nosso Sol é o mesmo que alimenta os homens; no entanto, meu caro Ministro, tenho receio daquele olvido temporário em que nos precipitamos. Sinto--me qual enferma que se curou de numerosas feridas… Em verdade, as úlceras não mais me apoquentam, mas conservo as cicatrizes.
Bastaria um leve arranhão, para voltar a enfermidade.
Laura reporta-se àquele que talvez seja o maior problema do Espírito reencarnado – a reincidência.
Tornar aos mesmos enganos do passado.
Nas reuniões mediúnicas é comum o contato com Espíritos que simplesmente refugam as oportunidades de reencarnar, alegando que estão muito bem e não se sentem dispostos a enfrentar o mergulho nas incertezas da carne.
Embora tenham que fazê-lo, mais cedo ou mais tarde, resistem o quanto podem.
Em face disso tudo, amigo leitor, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que reencarnar é complicado.
...
Já desencarnar é o alijar da armadura, a retomada das percepções, o reencontro com os afetos caros.
É o retorno à amplidão, uma celebração da Vida em plenitude, sem as limitações humanas.
Se desencarnarmos levando um mínimo de vitórias, na luta contra nossas imperfeições, se algo fizemos em favor do bem comum, combatendo o egoísmo; se aprendemos a conjugar os verbos amar, perdoar, compreender, na vivência do Evangelho, então seremos muito bem amparados, e nos situaremos felizes como o viajor que finalmente retorna ao lar.
Estavam certas as antigas culturas orientais.
Quem sabe, um dia, quando essa realidade for melhor assimilada pela Humanidade, haveremos de mudar as comemorações do dois de novembro.
Não mais o dia dos mortos.
Mais apropriadamente, o dia dos vivos.
Reformador
Richard Simonetti
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
LÂMPADA MORTA
“... transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Paulo aos Romanos - 12:2
Poderemos aderir de modo intelectual aos mais variados programas religiosos, navegar em pleno mar da filosofia e da cultura meramente verbalista, com certo proveito individual, diante do próximo; mas, diante do Senhor, o problema fundamental de nosso espírito é a TRANSFORMAÇAO para o BEM, com a elevação de todos os nossos sentimentos e pensamentos.
Há pessoas com contraditórias disposições em matéria de serviço espiritual.
Hoje crêem, amanhã descrêem.
Entregaram-se, ontem, às manifestações da Fé; entretanto, porque alguém não se curou de uma enxaqueca ou seu pedido não foi atendido, perdem a confiança, penetrando o caminho largo da negação. Na realidade, eles não perderam. Simplesmente não tinham, ainda, consolidado dentro de si, a FÉ RACIOCINADA, que jamais se perde.
Acreditam muitos que progredir é conquistar situações de evidência no mundo, granjeando posições de destaque transitório, trazer as mais vastas somas financeiras ao patrimônio pessoal, ou caminhar num mar de rosas, com privilégios de cobertura espiritual.
Os tarefeiros da Revelação não possuem privilégios ante o espírito de TESTEMUNHO pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar como graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de APRENDER e APLICAR com Jesus.
A proporção que o espírito avulta em conhecimento, mais compreende o valor do Tempo e das oportunidades que a Vida Maior lhe proporciona, reconhecendo, por fim, a imprudência de gastar recursos preciosos em discussões estéreis e caprichosas: alegações pueris e muitas vezes distorsivas das verdadeiras razões ou finalidades pelas quais o espírito se encontra reencarnado.
O mundo, há muito tempo, conhece glórias sangrentas de luta homicida, glórias da avareza nos cofres da fortuna morta, do orgulho nos pergaminhos dos brasões inúteis, da vaidade nos prazeres mentirosos que precedem o sepulcro; a ciência cristaliza as que lhe dizem respeito nas academias isoladas; as religiões sectaristas nas pompas externas e nas expressões do proselitismo.
A vitória do seguidor de Jesus está quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos. É uma glória ANÔNIMA - sem alardes, propaganda e sem honrarias mundanas. É uma gloria silenciosa, íntima, na luta feroz travada contra o seu próprio EU. É o testemunho da CONSCIÊNCIA própria, transformada em tabernáculo do Cristo Vivo.
Não permitamos que os problemas externos, inclusive os do próprio corpo, nos inabilitem para o serviço da nossa iluminação
Enquanto nos encontramos no plano de exercício, qual o da Terra, sempre seremos defrontados pela dificuldade e pela dor.
Fomos colocados pelas próprias Leis da Natureza, entre obstáculos mil de natureza estranha, para que, vencendo inibições, aprendamos a superar as nossas limitações.
Nas surpresas constrangedoras da marcha, recordemos que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando e nunca desfalecendo. Seguindo sempre o exemplo vivo do nosso Mestre Jesus.
Se nos compenetrarmos, pois, das lições do Cristo, interessados em acompanhá-lo é indispensável a nossa disposição de usar as nossas forças na atividade incessante do BEM, para que a BOA NOVA brilhe na senda de redenção para todos.
Cristão sem espírito de sacrifício é LÂMPADA MORTA no santuário do EVANGELHO DO SENHOR.
Revista Internacional de Espiritismo - Janeiro de 1976
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
PROVAS DA IMORTALIDADE, QUE JESUS DEU A SEUS DISCÍPULOS
“Nesse mesmo dia, dois dentre eles caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios, conversando ambos de tudo quanto se tinha passado. E aconteceu que quando eles falavam e conferenciavam a seu respeito, Jesus veio unir-se a eles e caminhava ao lado deles, mas seus olhos estavam como que fechados, a fim de que eles não pudessem reconhecê-lo, Ele lhes disse:
Sobre o que conversais e por que estais tristes?
“Um deles, chamado Cleofas, tomando a palavra lhe disse: Sois tão estrangeiro em Jerusalém que não sabeis o que se tem passado ali naqueles dias? O quê? lhes disse ele. Eles responderam: Sobre Jesus Nazareno, que foi profeta poderoso diante de Deus e de todo o povo, e de que modo os principais dos sacerdotes e os nossos senadores o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, esperávamos que fosse ele quem resgatasse Israel, e, entretanto, depois de tudo isto, eis já o terceiro dia que estas coisas sucederam. Por outro lado certas mulheres, das que conosco estavam, nos encheram de pasmo, tendo ido de madrugada ao túmulo; e não havendo achado o seu corpo, voltaram, declarando que tinham visto anjos, os quais diziam estar ele vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo, e acharam que era assim como as mulheres haviam dito, mas não o viram. Então ele lhes disse: ó insensatos e tardios de coração, para crer em tudo quanto os profetas disseram! Não era preciso que o Cristo sofresse todas as coisas e que entrasse assim na sua glória? E começando por Moisés e depois por todos os profetas, ele lhes explicava o que tinham dele dito as Escrituras. E quando estavam perto da aldeia para onde iam, ele deu mostras de que ia mais longe — mas eles o forçaram a parar, dizendo: ficai conosco, porque é tarde e o dia está na sua declinação; e entrou para ficar com eles.
“Estando com eles à mesa, tomou o pão, abençoou e, tendo partido, lhes deu.
Ao mesmo tempo se lhes abriram os olhos e eles o reconheceram; mas ele desapareceu diante deles. Então disseram um ao outro: Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
“Levantando-se no mesmo instante, voltaram para Jerusalém, e acharam juntos os onze apóstolos e os que com eles estavam reunidos, os quais diziam: É verdade que o senhor ressuscitou e apareceu a Simão? “E os dois contaram também o que lhes havia acontecido em caminho e como reconheceram Jesus no partir do pão.
“Enquanto assim conversavam, Jesus apresentou-se no meio deles e lhes disse:
A paz esteja convosco; sou eu, não temais. Mas na perturbação e espanto de que se achavam possuídos, eles julgavam ver um Espirito.
A paz esteja convosco; sou eu, não temais. Mas na perturbação e espanto de que se achavam possuídos, eles julgavam ver um Espirito.
“E Jesus lhes disse: Por que vos perturbais? E por que se sugerem tantos pensamentos em vossos corações? Olhai para as minhas mãos e para os meus pés e reconhecei que sou eu mesmo; tocai-me, e considerai que um Espírito não tem carne nem osso, como vedes que eu tenho.
“Depois de ter dito isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas como não acreditavam ainda tão cheios estavam de alegria e admiração, ele lhes perguntou:
“Tendes aqui alguma coisa que se coma? Eles lhe apresentaram uma posta de peixe e um favo de mel. Comendo Jesus diante deles tomou o resto, lhes deu e disselhes:
Eis o que eu vos dizia quando ainda estava convosco; que era necessário que tudo quanto estivesse na Lei de Moisés, nos Profetas, nos Salmos, se realizasse. Ao mesmo tempo lhes abriu o espírito a fim de que entendessem as Escrituras e disse: é assim que está escrito e é assim que era preciso que o Cristo sofresse, e que ressuscitasse dentre os mortos, no terceiro dia, e que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados em todas as nações, principiando de Jerusalém.
Ora vós sois testemunhas destas coisas. E eu vou enviar-vos o dom de meu Pai que vos tem sido prometido; entretanto, demorai na cidade até que sejais revestidos da força lá do Alto.”
(Lucas, XXIV, 13-49.)
Magnifica narrativa! Quem poderá negar-lhe a veracidade e o sucesso que causou aos povos daquele tempo tão estupenda manifestação?
Era passado o sábado gordo, o Sol brilhava no firmamento em caminho do poente; caminhavam dois homens em busca de Emaús, e no caminhariam relembrando as cenas sanguinolentas verificadas no Gólgota; a morte do inocente, a tirania de Herodes, o servilismo de Pilatos, Anás e Caifás, os sumos sacerdotes; a degradação e a indiferença de uns e a malevolência de outros; a perversão da opinião pública que preferiu Barrabás a Cristo! Caminhavam sob a impressão pungente da morte dolorosa que se dera àquele em que eles viam a redenção de Israel, quando Jesus redivivo lhes aparece, com eles conversa e, censurando a insensatez com que interpretavam as Escrituras, acompanha-os e se lhes mostra, no partir do pão, quando se achavam prontos para a ceia!
“Insensatos e tardos de coração” — embora discípulos do Nazareno — não podiam, sem que se lhes abrisse o entendimento, compreender as verdades reveladas pelos profetas ou médiuns, precursores da Boa Nova Cristã.
Mas a crença na Verdade não os havia ainda libertado do erro; voltaram os dois para Jerusalém, onde se uniram aos onze apóstolos e ao narrarem a aparição do Senhor a Simão, e como o reconheceram ao partir do pão, eis que Jesus no meio deles se apresenta, envolvendo-os nos eflúvios de sua Paz: Pax vobis; ego sum, nolite timere. Paz seja convosco: sou eu, não temais.
Julgando ver um ser impalpável, idêntico aos Espíritos de diversas categorias que, é certo, tinham visto muitas vezes, assustaram-se, mas Jesus, que já tinha subido ao Pai e do Supremo Criador recebera a Palavra, segundo a qual deveria tornar-se não somente visível, mas ainda tangível àqueles que deviam secundar os seus pés, ordena-lhes que o toquem e considerem que “os Espíritos que lhes têm aparecido não são de carne e osso”.
Era mesmo difícil aos futuros Apóstolos do Cristianismo acreditarem na materialização de Espíritos, fato que, provavelmente, até aquele momento somente três entre eles haviam observado.
O Amado Filho de Deus não se agasta com a falta de compreensão dos doze e prefere dar-lhes provas convincentes da Verdade anunciada: Tendes aqui alguma coisa que se coma? Eles apresentaram-lhe uma posta de peixe e um favo de mel, e Jesus comeu diante deles.
Destarte ficaram preparados para receber o DOM que lhes fora prometido, ordenando-lhes o Mestre que demorassem na cidade até que fossem revestidos da Força do Alto.
O fogo de Pentecostes ainda não tinha baixado do Céu, mas o cumprimento da profecia de Joel ia ter o seu início.
Os Apóstolos precisavam receber o batismo de fogo do Amor de Deus; no Cenáculo ia ter lugar a mais importante sessão espírita que a História relembra. Os médiuns de variedades de línguas, de prodígios, de maravilhas iam ser desenvolvidos e os DONS de Curar, da Fé, da Palavra, da Escrita, da Ciência, de Discernir os Espíritos iam ser concedidos aos Discípulos para o exercício de sua elevada missão.
sábado, 17 de outubro de 2009
TEMOR DA MORTE
Causas do temor da morte
1 - O homem, seja qual for a escala de sua posição social, desde selvagem tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos.
A crença da imortalidade é intuitiva e muito mais generalizada do que a do nada. Entretanto, a maior parte dos que nele crêem apresentam-se-nos possuídos de grande amor às coisas terrenas e temerosos da morte! Por quê?
2. - Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligenciar o trabalho terreno que deve servir ao nosso próprio adiantamento.
Assim é que, nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas atenuada por secreto apego à vida corporal.
3 . - A proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calma, resignada e serenamente. A certeza da vida futura dá-lhe outro curso às idéias, outro fito ao trabalho; antes dela nada que se não prenda ao presente; depois dela tudo pelo futuro sem desprezo do presente, porque sabe que aquele depende da boa ou da má direção deste.
A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera na Terra, de não perder um só fruto do seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas transitórias da vida terrestre. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de ser, no presente como no futuro.
4. - Para libertar-se do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria.
No Espírito atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperador.
Se, ao contrário, concentrarmos o pensamento, não no corpo, mas na alma, fonte da vida, ser real a tudo sobrevivente, lastimaremos menos a perda do corpo, antes fonte de misérias e dores. Para isso, porém, necessita o Espírito de uma força só adquirível na madureza.
O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total; igualmente o estimula secreto anseio pela sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza.
Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa.
Eis aí o lado providencial da questão. Ao homem não suficientemente esclarecido, cuja razão mal pudesse suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor, prudente seria não o deslumbrar com tal idéia, desde que por ela pudesse negligenciar o presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual.
5. - Este estado de coisas é entretido e prolongado por causas puramente humanas, que o progresso fará desaparecer. A primeira é a feição com que se insinua a vida futura, feição que poderia contentar as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer a razão esclarecida dos pensadores refletidos. Assim, dizem estes: "Desde que nos apresentam como verdades absolutas princípios contestados pela lógica e pelos dados positivos da Ciência, é que eles não são verdades." Daí, a incredulidade de uns e a crença dúbia de um grande número.
A vida futura é lhes uma idéia vaga, antes uma probabilidade do que certeza absoluta; acreditam, desejariam que assim fosse, mas apesar disso exclamam: "Se todavia assim não for! O presente é positivo, ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro por sua vez virá"
E depois, acrescentam, definitivamente que é a alma? Um ponto, um átomo, uma faísca, uma chama? Como se sente, vê ou percebe? E que a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma abstração.
Os entes que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomos no seu modo de pensar, estão perdidos, e não têm mais a seus olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados; não podem compreender o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter. Quanto a si mesmos, ficam mediocremente satisfeitos com a perspectiva de se transformarem em mônadas. Justifica-se assim a preferência ao positivismo da vida terrestre, que algo possui de mais substancial.
É considerável o número dos dominados por este pensamento.
6. - Outra causa de apego às coisas terrenas, mesmo nos que mais firmemente crêem na vida futura, é a impressão do ensino que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância. Convenhamos que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é nada sedutor e ainda menos consolatório.
De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento. De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem.
Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retratam os bem-aventurados, figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.
Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva idéia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante - de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.
7. - Não dependendo a felicidade futura do trabalho progressivo na Terra, a facilidade com que se acredita adquirir essa felicidade, por meio de algumas práticas exteriores, e a possibilidade até de a comprar a dinheiro, sem regeneração de caráter e costumes, dão aos gozos do mundo o melhor valor.
Mais de um crente considera, em seu foro íntimo, que assegurado o seu futuro pelo preenchimento de certas fórmulas ou por dádivas póstumas, que de nada o privam, seria supérfluo impor-se sacrifícios ou quaisquer incômodos por outrem, uma vez que se consegue a salvação trabalhando cada qual por si.
Seguramente, nem todos pensam assim, havendo mesmo muitas e honrosas exceções; mas não se poderia contestar que assim pensa o maior número, sobretudo das massas pouco esclarecidas, e que a idéia que fazem das condições de felicidade no outro mundo não entretenha o apego aos bens deste, acoroçoando o egoísmo.
8. - Acrescentemos ainda a circunstância de tudo nas usanças concorrer para lamentar a perda da vida terrestre e temer a passagem da Terra ao céu. A morte é rodeada de cerimônias lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que a provocarem a esperança. Se descrevem a morte, é sempre com aspecto repelente e nunca como sono de transição; todos os seus emblemas lembram a destruição do corpo, mostrando-o hediondo e descarnado; nenhum simboliza a alma desembaraçando-se radiosa dos grilhões terrestres. A partida para esse mundo mais feliz só se faz acompanhar do lamento dos sobreviventes, como se imensa desgraça atingira os que partem; dizem-lhes eternos adeuses como se jamais devessem revê-los. Lastima-se por eles a perda dos gozos mundanos, como se não fossem encontrar maiores gozos no além-túmulo. Que desgraça, dizem, morrer tão jovem, rico e feliz, tendo a perspectiva de um futuro brilhante! A idéia de um futuro melhor apenas toca de leve o pensamento, porque não tem nele raízes. Tudo concorre, assim, para inspirar o terror da morte, em vez de infundir esperança.
Sem dúvida que muito tempo será preciso para o homem se desfazer desses preconceitos, o que não quer dizer que isto não suceda, à medida que a sua fé se for firmando, a ponto de conceber uma idéia mais sensata da vida espiritual.
9. - Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos; a própria Igreja põe entre umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível qualquer comunicação. Se as almas estão no inferno, perdida é toda a esperança de as rever, a menos que lá se vá ter também; se estão entre os eleitos, vivem completamente absortas em contemplativa beatitude. Tudo isso interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que faz supor eterna a separação, e é por isso que muitos preferem ter junto de si, embora sofrendo, os entes caros, antes que vê-los partir, ainda mesmo que para o céu.
E a alma que estiver no céu será realmente feliz vendo, por exemplo, arder eternamente seu filho, seu pai, sua mãe ou seus amigos?
Por que os espíritas não temem a morte
10. - A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação; aí os vemos em todos os graus da escala espiritual, em todas as rases da felicidade e da desgraça, assistindo, enfim, a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os conforta; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade.
Para os espíritas, a alma não é uma abstração; ela tem um corpo etéreo que a define ao pensamento, o que muito é para fixar as idéias sobre a sua individualidade, aptidões e percepções. A lembrança dos que nos são caros repousa sobre alguma coisa de real. Não se nos apresentam mais como chamas fugitivas que nada falam ao pensamento, porém sob uma forma concreta que antes no-los mostra como seres viventes. Além disso, em vez de perdidos nas profundezas do Espaço, estão ao redor de nós; o mundo corporal e o mundo espiritual identificam-se em perpétuas relações, assistindo-se mutuamente.
Não mais permissível sendo a dúvida sobre o futuro, desaparece o temor da morte; encara-se a sua aproximação a sangue-frio, como quem aguarda a libertação pela porta da vida e não do nada.
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